Não basta ter um ótimo programa para fazer um bom projeto

Não basta ter um ótimo programa para fazer um bom projeto

No decorrer dos últimos anos que venho trabalhando com estruturas de concreto, não somente enquanto trabalhei em
projetos, mas também depois de integrar a equipe da AltoQi, não foram raras as
vezes que me deparei com profissionais que utilizam os recursos dos programas
apenas de modo superficial, para fazer projetos. Nem por isso, os projetos
deixam de ser desenvolvidos e as construções executadas.

Como conseqüência disso, observamos alguns projetos que, na verdade, poderiam
ter sido elaboradores com mais qualidade, tanto sob o ponto de vista de sua
concepção, que envolve a solução técnica e a integração com a arquitetura,
quanto sob o aspecto econômico.

Essa situação retrata uma realidade atual e preocupante para a Engenharia, pois
ainda há no mercado engenheiros “pilotando” programas, sem a fiel
preocupação de apresentar resultados satisfatórios. Em alguns momentos, esse
perfil de profissional foi atribuído aos engenheiros jovens, ditos “recém
formados”, mas já está claro que isso acontece também com profissionais
“mais experientes”. Nesses casos, esse engenheiro que age de modo
inconseqüente, cobra valores demasiadamente baixos pelos projetos e que entrega
uma pilha de desenhos, gerados de qualquer modo por um software, a qual
chama de projetos.

Também não faltaram ocasiões, em que a responsabilidade deste fato foi
atribuída às empresas de desenvolvimento de software, como se a evolução
da Engenharia, associada à tecnologia, fosse a responsável por falhas em partes
do processo construtivo, provocadas pelos próprios profissionais. Tenho
comentado nos cursos que ministro que, para cada dia que a AltoQi trabalha com
melhorias nos programas, nossos clientes-engenheiros terão algo a mais para
estudar e aprender, pois um novo conhecimento foi agregado ao programa.

A difusão do conhecimento agregado ao software é uma das maiores
preocupações da AltoQi. A empresa entende que de nada adianta vender programas
aos engenheiros se eles (clientes) não utilizarem de forma adequada,
produzindo bons projetos, tanto econômicos quanto seguros. Por esta razão, a
AltoQi investiu em uma grande diversidade de materiais de referência sobre os
programas, que incluem os manuais impressos e vasta documentação eletrônica
para cada programa, além de cursos básicos e técnicos presenciais, cursos à
distância via internet e mais de 500 artigos técnicos em seu website, contendo
valiosas dicas de utilização dos programas. O quadro a seguir mostra de maneira
resumida a documentação técnica disponível para cada linha de software da
AltoQi:

Assim, o objetivo deste texto é apresentar uma sugestão de estudo seqüencial
desses conteúdos para que o aproveitamento dos programas obtenha resultado
máximo.

Se você está iniciando seu trabalho em projetos, o que estamos lhe propondo é
uma maneira adequada para começar e aprender a utilizar um programa. Se você já
atua no mercado há mais tempo, aproveite para rever seus conhecimentos e siga o
mesmo caminho, pois a experiência que você já dispõe só irá lhe ajudar a
consolidar ainda mais nossas recomendações.

1º Passo: Execute os manuais Tutoriais

Por incrível que pareça, a maioria das pessoas reluta em ler os manuais
tutoriais e tenta começar a utilizar o programa de forma intuitiva. Apesar de
possível, o auto-aprendizado pode expor o usuário a um risco elevado de
utilizar, de maneira inadequada, os recursos do programa. Portanto, inicie o
trabalho com seu programa fazendo atentamente os manuais tutoriais, disponíveis
na forma impressa e eletrônica. Esses documentos mostram a execução dos
comandos de forma detalhada, mostrando passo a passo cada comando, destacando
os cuidados a serem observados, além de incluir dicas que aumentam a
produtividade no uso do programa.

 

2º Passo: Faça um curso básico de utilização

Esse passo não é obrigatório, mas é altamente recomendável. Após ter executado
os tutoriais você geralmente compreende o que lhe foi apresentado, mas ainda
não dispõe de prática consistente para iniciar um projeto. Nesse momento, entra
o curso básico, que tem a função de consolidar os conhecimentos adquiridos com
os manuais Tutoriais e oferecer algumas dicas de utilização. Os cursos básicos
atualmente podem ser feitos presencialmente e via internet, sendo que nesta
opção você pode fazer o curso a partir de qualquer lugar, no momento que lhe
convier. (Para mais informações acesse www.qisat.com.br)

 

3º Passo: Faça os Tutoriais dos módulos dos
programas

Nesta etapa, você deve retomar a documentação impressa e estudar os demais
manuais disponíveis. Esse trabalho foi dividido em duas partes para que você
faça o curso básico e consolide seus conhecimentos sobre a etapa de lançamento
e dimensionamento do projeto, antes de estudar os recursos mais avançados. O
estudo dos manuais dos módulos adicionais é imprescindível para a correta
utilização dos recursos específicos. Recomenda-se este estudo mesmo para quem
não dispõe do programa completo, pois está é a forma ideal para entender, quais
resultados você pode esperar do programa quando ainda não dispõe de um ou outro
módulo.

 

4º Passo: Estudo da documentação eletrônica de
referência

Esta é uma das etapas mais importantes do trabalho, pois é o último passo antes
de você  desenvolver um projeto real. A documentação eletrônica, conhecida
como “Ajuda”, pode ser acessada através do menu “?”, item
“Conteúdo” ou, como é mais fácil, através do botão http://www.altoqi.com.br/imagens/icones/help.jpg.
Nesta seção há uma quantidade enorme de informações e sua leitura deve ser
realizada na seguinte seqüência:

  • Critérios de Projeto: este tópico tem leitura
    obrigatória, pois apresenta os critérios utilizados pelo programa para
    considerar cada um dos requisitos de projeto. É sempre importante lembrar
    que todos os programas possuem limitações e, tão importante quanto
    conhecer seus recursos, é saber suas limitações.

 

  • Configurações: neste tópico são abordados,
    uma a uma, cada configuração do programa. No momento da instalação, o
    programa carrega um conjunto de parâmetros de configuração, chamados de
    “valores default”, que nada mais são do que valores iniciais. Em
    nenhuma hipótese pode-se afirmar que os valores default são recomendações
    para uso em projeto. Para cada caso e cada cliente, o engenheiro deve
    configurar esses valores para adequá-los aos requisitos daquele projeto
    específico. Para poder fazer isso, é fundamental conhecer previamente o
    significado de cada item da configuração, o que é facilmente alcançado com
    este estudo proposto.

 

  • Códigos de erro: durante o lançamento e
    dimensionamento do projeto é comum que ocorram erros apontados pelo
    próprio programa, geralmente quando algum parâmetro do modelo ou um
    resultado de dimensionamento não atende aos requisitos normativos. Desse
    modo, um passo fundamental é entender o que significa o erro apontado pelo
    programa e saber como corrigi-lo. Nesta seção da documentação, são
    definidos os erros, suas possíveis causas e as principais maneiras de
    corrigi-los. Cabe destacar que os erros apontados pelo programa não
    significam que a solução proposta está correta, já que esta análise dos
    resultados cabe sempre ao engenheiro responsável pelo projeto.

 

  • Documentação de referência: todos os demais itens dessa
    documentação eletrônica completam a documentação de referência do
    programa. Sua função é facilitar a busca por um determinado recurso
    específico, pois a informação está estruturada da mesma maneira como é
    exibida no programa, a partir dos menus e sub-menus. Sua leitura não é
    obrigatória neste momento e pode ser feita somente quando for preciso.

 

  • F1: essa é a forma mais ágil de
    acessar a documentação de referência, pois basta pressionar a tecla F1 a
    partir de qualquer diálogo ou configuração do programa para encontrar
    todas as informações de um determinado recurso.

 

 

5º Passo: Mãos à obra

Ok. Você já estudou boa parte dos recursos do programa que pretende utilizar e,
portanto, já pode aplicá-los em um projeto real. Todavia, você deve ter
consciência e cautela para escolher o projeto adequado para começar.

Não comece com projetos grandes ou que tenham prazos muito exíguos para fazer a
entrega. Lembre-se que você ainda está se acostumando com o programa e terá
dúvidas sobre sua utilização. É o momento de fazer uso do Suporte Técnico que a
empresa lhe oferece para que você possa sanar suas dúvidas com tranqüilidade.

6º Passo: Cursos Técnicos

Logo após ter iniciada a aplicação dos conhecimentos em projeto é preciso
retomar o estudo. Nesta etapa é fundamental a participação em cursos técnicos,
sejam presenciais ou via internet.

Na linha de projetos do Eberick há pelo menos 4 cursos que devem ser
realizados:

  • Curso sobre a NBR 6118:2003
    (via internet)

    vai revisar toda a NBR 6118 vigente, recapitulando os aspectos conceituais
    e normativos necessários aos projetos estruturais;

 

  • Curso técnico sobre o Módulo
    Master (presencial)
    – um curso que estuda os principais tópicos
    da etapa de análise da estrutura, com fundamentos teóricos e aplicação
    prática de cada um dos recursos;

 

  • Curso Técnico de concepção e
    lançamento de estruturas (presencial)
    – contempla aspectos que contemplam desde a
    contratação do projeto estrutural até a apresentação de metodologias
    práticas para concepção de estruturas, mostrando as principais rotinas de
    trabalho e os itens a serem cumpridos.

 

  • Palestra Técnica sobre Durabilidade
    de estruturas de concreto (via internet)
    – numa apresentação de cerca de duas horas,
    são mostrados os principais aspectos que envolvem o importantíssimo
    requisito de durabilidade e vida útil, que precisa ser alcançado pelas
    estruturas de concreto.Na linha dos projetos hidráulico-sanitários
    existe uma seqüência bastante abrangente de cursos sobre projeto de redes
    de água fria, água quente, esgoto sanitário e redes de águas pluviais. São
    cursos que apresentam, de forma bastante clara, os fenômenos físicos,
    fundamentos técnicos e aspectos normativos, que influem diretamente nos
    projetos dessas redes. São cursos imperdíveis para quem atua nesta área.

 

 

7º passo: Atualização Constante

Agora que você já está bem preparado para seguir fazendo seus projetos precisa
manter-se atualizado. Para isso você pode (e deve) fazer cursos diversos em sua
área de atuação. Além disso, pode contar ainda com a base de conhecimento da
AltoQi, que dispõe de um acervo de mais de 500 artigos técnicos disponíveis no
site www.altoqi.com.br , na seção “Suporte“. Lá você poderá conhecer
outros artigos técnicos e dicas de utilização dos programas, seja acessando a
base de “perguntas freqüentes”, na qual as informações estão
categorizadas por assuntos, ou utilizando a ferramenta de “busca”,
para encontrar um assunto em especial.

Muito bem! Se você leu este artigo até aqui já deve estar cansado (ou quem sabe
preocupado) com tantos assuntos para estudar. Infelizmente não há outro caminho
para que você consiga extrair do programa toda a sua capacidade e fazer
projetos como o mercado espera. É também o caminho a ser seguido para não ser
confundido com um mau engenheiro e, pelo contrário, ter argumentos técnicos
para convencer seu cliente, de que nem sempre o menor preço pelo projeto é o
melhor negócio.

Outro aspecto importante para refletir está relacionado com sua estratégia
profissional. Se você deseja ingressar no segmento de projetos, não pode
cometer o erro que já vi tantas vezes: comprar o programa (não importa qual) só
quando tiver um projeto para fazer. No momento em que você decide que irá
trabalhar com projetos invista, assim que possível, no software de sua
preferência e comece a estudá-lo, para que você esteja realmente preparado
quando for contratado para fazer um projeto.Lembre-se: não basta ter um bom
programa para fazer um bom projeto. É preciso muito esforço e estudo para que
os resultados sejam realmente bons. A AltoQi está à sua disposição para
ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

Rodrigo R. Carvalho

Rodrigo Carvalho Engenharia de Estruturas é uma empresa especializada no desenvolvimento de Projetos estruturais, desenvolvendo seus serviços dentro de modernos conceitos de otimização e segurança.

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